Mulheres no Arch Viz - Sandra Milena Arciniegas


Conte-nos um pouco sobre o seu papel atual e o que se encontra a fazer na industria


Desde 2011 que sou Diretora Executiva na Ekoomedia. Nos últimos dez anos, desenvolvemos imagens de alto perfil para arquitetos e profissionais de construção por todo o mundo. A Ekoomedia está hoje posicionada como uma das principais empresas de visualização da América Latina

Na Ekoomedia, ajudamos os nossos clientes a conectarem-se com os seus mercados-alvo através de mídia gráfica atraente e eficiente. Não tenho quaisquer dúvidas de que a comunicação visual tem um papel essencial na busca pela excelência do design. Trabalhamos com empresas como SOM, Gensler, Aecom, UNstudio, Brokfield, Madison Capital, Estudio Herrreros, Nabil Gholam Architects e Richard Rogers, entre outras.

Também co-direciono a EKOOBIM, uma empresa focada em fornecer informações centralizadas por meio de soluções técnicas para coordenação e construção. 



Qual foi o caminho que tomou para chegar onde está hoje? Foi sempre esse o papel que pensou ter? Qual era o emprego dos seus sonhos em criança e porquê?


Durante toda a minha vida sempre tive uma longa paixão por artes visuais em todas as suas formas e um interesse por computadores. Adoro aprender a trabalhar com novos softwares, navegar na web e jogar videojogos

No curso de arquitetura eu tinha por hábito fazer modelos 3d básicos dos meus projetos e finalizá-los à mão (sombras, pessoas, carros ...). Durante aqueles anos, o meu interesse por ArchViz cresceu até o ponto em que o objetivo principal do meu projeto de tese era criar as melhores renderizações possíveis.

Quando estava prestes a terminar o curso, a Ekoomedia estava a contratar, pois precisavam de um arquiteto. Candidatei-me ao emprego e fui entrevistada pelo Sergio Garzon (meu colega agora), mas não voltei a ter notícias dele. No entanto eu estava tão interessada no trabalho que decidi ligar e disse-lhe: "Eu quero o emprego, vocês deviam contratar-me". Ele ficou bastante surpreendido, mas acabou por o fazer. Comecei a trabalhar para a Ekoomedia uma semana após a minha graduação. 

O trabalho dos meus sonhos era projetar arquitetura para videojogos, mas, para ser sincera o que eu faço agora não está muito longe disso. 



Qual a melhor e pior decisão que alguma vez tomou?


A melhor decisão que já tomei foi abandonar o curso de engenharia para estudar arquitetura. Eu queria construir uma carreira em que a matemática e ciências trabalhassem em paralelo com o design. Estava com algum receio mas valeu a pena.  

A pior decisão que qualquer executivo pode tomar é contratar as pessoas erradas e deixá-las por muito tempo na empresa. A Ekoomedia precisa de pessoas que sejam grandes artistas 3D, mas também proativas e bons jogadores de equipa. Encontrar esse tipo de talento é o aspecto mais desafiante do meu trabalho.


Com base no nosso questionário de industria, as mulheres ainda representam apenas 7% do setor. Tem alguma opinião sobre o assunto, como poderá isso eventualmente ser alterado e se será de facto alterado num futuro próximo?


Isso é de facto uma realidade, mas também uma em mudança. Nos últimos anos tenho visto mais mulheres envolvidas no setor. O verdadeiro desafio é conseguir mais mulheres em posições de liderança, para que a cultura de trabalho possa ser redesenhada de forma a ser igual para TODOS os sexos.



Cite três outras mulheres que não trabalhem nesta industria mas que impactaram o seu trabalho artisticamente e / ou o caminho que seguiu para chegar onde está hoje. 

Sheela Maini Sogaard CEO da BIG. Eu concordo com a sua visão sobre o projeto arquitectónico enquanto negócio. Ela entende que o processo criativo e as metas corporativas são complementares. Admiro as suas opiniões sobre a cultura corporativa, liderança e sucesso. 


Patricia Urquiola (designer de interiores). O seu design é inovador e elegante. Ela tem uma maneira única e inspiradora de combinar cores, materiais e texturas. Os móveis e objetos que ela projeta têm vindo a cativar os meus olhos há muito tempo.


Zaha Hadid . Ela, para mim, é um modelo a seguir. Eu respeito o seu trabalho, mas admiro particularmente a forma como ela se posicionou enquanto uma das melhores arquitetas do mundo numa profissão maioritariamente dominada pelo sexo masculino.


O que mais a motiva / inspira?


Arte, viagens, fotografia, arquitetura, design industrial, design gráfico, beleza. Adoro desafios, ponho todo o meu coração e energia quando os encaro. Tento sempre dar o melhor para a minha equipa.



Que lições aprendeu na sua carreira até hoje que acha que beneficiariam outras pessoas dentro do setor?


Nada é feito em nenhuma industria sem persistência e uma boa equipa. E no nosso campo é ainda preciso adicionar uma excelente capacidade de gerenciar clientes.  


Qual o melhor conselho que já recebeu?


Nunca comece uma empresa sem os serviços de um profissional de recursos humanos, um advogado e um contabilista. Crescer é divertido, mas pode ser problemático. Tente conter

esses problemas o máximo que puder.


Qual foi a sua conquista mais orgulhosa dentro dos negócios até hoje?


O impacto positivo que causamos na vida dos nossos próprios membros de equipa. Eles foram capazes de crescer e tornarem-se especialistas num trabalho que amam.



Que outras atividades artísticas ou meios criativos busca fora do seu dia-a-dia?  


Design de interiores. Tenho a sorte de poder fazer muito disso no meu trabalho. Na verdade, parece mais um jogo, é uma paixão.


Para onde vê a indústria a caminhar? Irá evoluir de forma significativamente diferente de onde está hoje? Se sim, como?


Desenvolvimentos de tecnologia como RV são o próximo passo mais óbvio. Acredito que os usuários finais do projeto, clientes e designers poderão participar na criação de visualização arquitetónica. Quanto mais a tecnologia avança, menor a diferença que existe entre os diferentes players do setor. 


Nomeie cinco artistas, criativos ou empresários (fora da indústria de ArchViz) que a inspiraram.


Hayao Miyazaki , Salvador Dalí , Tim Burton , Hundertwasser , Iris Apfel.



Por favor cite cinco artistas da indústria que acha que influenciaram o seu próprio trabalho ou até a própria indústria?


Neoscape , Paul Stevenson Oles , LuxigonAdan Martin , Mir


Enquanto mulher, sente que teve que trabalhar mais ou fazer algo diferente do que os seus colegas do sexo masculino para chegar onde está hoje?


Sim. A indústria e especialmente o mercado américo-latino são muito orientados para os homens. Mas tive a sorte de ter um parceiro, clientes e colaboradores que apreciam o profissionalismo e o talento vindo de qualquer lugar.

Infelizmente, em qualquer campo ou lugar do mundo, precisamos de trabalhar mais para obter respeito profissional e obter sucesso. Sexismo que ainda persiste na nossa cultura.


Que conselho daria às mulheres que pensam em entrar no setor de ArchViz?


Que têm direito a tudo o que sonharam, portanto falem e não tenham medo de mostrar liderança.


Qual será o maior desafio para a geração de mulheres atrás de si no que diz respeito ao trabalho neste setor?


Como já mencionei, assumir posições de liderança. 


Onde se imagina daqui a dez anos? O que está a fazer e o que já fez para lá chegar?


Daqui a dez anos, espero ter um negócio saudável e em crescimento, com uma excelente equipa. Também espero ter mais tempo para a minha família e viajar.


Pegue num dos seus projetos favoritos e guie-nos pela peça do início ao fim. 


O meu trabalho enquanto CEO é gerenciar equipas, as pessoas que realmente estão a fazer o trabalho. 

Estou preocupada com a falta de informações e debate sobre a direção e liderança do processo criativo no setor de Arch viz.  

Eu acho que este campo está demasiado focado em "fazer", quando as maiores falhas acontecem devido à má administração.

Atualmente, temos um fluxo de trabalho muito bem definido que, do ponto de vista técnico, nos permite ser eficientes e obter resultados poderosos ao mesmo tempo.

No entanto, desenvolvi um método pessoal que tento ensinar à minha equipa: começo por "ler" o projeto, dedico-me a entender as ideias e os conceitos de arquitetura por trás do design, o que o cliente quer e precisa, para imaginar como as pessoas viveriam nele, como os seus materiais reagiriam à luz, que atmosfera e personalidade deveriam ter.



Artigo original em inglês

traduzido por Maria Duarte

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