Mulheres no Arch Viz - Christa Hamilton


Fale-nos um pouco sobre o seu papel atual e o que faz na indústria

Enquanto partner da DBOX em Nova York, sou diretora criativa e uma das líderes da equipa de CGI. No meu trabalho atual, para um número de campanhas de marketing para projetos residenciais em Nova York e Los Angeles, estou envolvida em todos os aspetos de design e desenvolvimento, incluindo branding, impressão, fotografia, experiência nas lojas e o completo set de visuais.

Também ensino em parceria um curso de representação visual na Cornell University's College of Architecture, Art and Planning.

Podem ver os trabalhos dos estudantes aqui: timeframescornell.tumblr.com


The Residences at the West Hollywood EDITION for Witkoff, 2017, DBOX
The Residences at the West Hollywood EDITION for Witkoff, 2017, DBOX
The Residences at the West Hollywood EDITION for Witkoff, 2017, DBOX

Qual foi o caminho que tomou para chegar onde se encontra hoje e foi sempre este o papel que se imaginou a ter? Qual era o seu emprego de sonho em criança e porquê?

Enquanto crescia, sempre amei desenhar e pintar e assistia a todas as aulas de arte possíveis na escola. Quando me candidatei à universidade, decidi estudar arquitetura visto que parecia ser uma mistura dos meus interesses tanto em arte como matemática (e graças a um empurrãozinho do meu pai!). Acabei o Bachelor de Ciência no Design (arquitetura) na University of Nebraska’s College of Architecture, antes de ir para Nova York, onde fiz o mestrado em Arquitetura na Columbia University’s Graduate School of Architecture, Planning and Preservation. Enquanto aproveitava os estúdios de design da universidade, gravitava sempre em direção às aulas de desenho, filme e 3D. Quando me graduei, vi a oferta de trabalho da DBOX e pareceu-me ser o ideal.


Qual foi a melhor e a pior decisão que alguma vez tomou?

A melhor decisão foi ter-me mudado para a cidade de Nova York. Mudou tantos aspetos da minha vida, particularmente a minha educação e sensibilidade ao design. Foi também onde eu conheci o meu marido e comecei a minha família.

Uma das coisas mais difíceis é equilibrar a minha carreira com o tempo que passo como os meus filhos.


2010, DBOX

Baseado no nosso questionário, as mulheres ainda representam apenas 7% da indústria. Tem algum pensamento sobre isto, como pode ser mudado e se vai mudar num futuro próximo?

Estou um pouco surpreendida que o número seja tão baixo. Nos meus primeiros anos na DBOX, houve alturas em que eu era a única mulher, ou uma das únicas, na nossa equipa de CG. Fico feliz em poder dizer que neste momento temos uma equipa que é composta por quase 50% de mulheres. Infelizmente, não acho que isto seja a norma na maioria dos estúdios, mas espero que seja um bom sinal para a mudança demográfica no arch viz.

Similar à minha própria experiência, acho que vai haver uma maior mudança a nível global. À medida que cada vez mais mulheres jovens entram neste mundo, ou veem outras mulheres a ser bem sucedidas no arch viz, mais irão ser as que se veem a elas próprias a seguir a mesma carreira.


West Kowloon Cultural District for Foster + Partners, 2011, DBOX
West Kowloon Cultural District for Foster + Partners, 2011, DBOX

Nomeie três outras mulheres que, apesar de não trabalharem nesta indústria, tenham impactado o seu trabalho artisticamente e/ou o caminho que percorreu para chegar onde está hoje.

Georgia O’Keeffe – Quando eu era pequena costumava praticar pintura a replicar o trabalho dela.

Zaha Hadid – Lembro-me dela dar uma palestra quando eu estudava na Columbia. Era uma mulher incrivelmente confiante e, claro, uma designer e artista fantástica.

A minha mãe – Ela trabalhou na industria tecnológica, passou uma década na Microsoft e, portanto, os computadores fizeram parte da nossa vida desde muito cedo. Foi também ela que me mostrou o que é que significa ser igualmente uma trabalhadora profissional e uma mãe atenciosa.

Qual é a coisa que mais a inspira/ motiva?

Sou inspirada por projetos que me forçam a sair da minha zona de conforto. São esses os projetos nos quais eu tenho que puxar mais por mim técnica e criativamente, e onde eu tenho que me esforçar mais.

108 LEONARD for Elad Group, 2018, DBOX
108 LEONARD for Elad Group, 2018, DBOX
108 LEONARD for Elad Group, 2018, DBOX

Quais as lições que aprendeu ao longo da sua carreira que acredita que poderiam beneficiar outras pessoas na área?

Estar rodeada e ter como suporte uma boa equipa é muito importante. Já tive a oportunidade de trabalhar com alguns artistas incríveis na DBOX, incluindo muitas mulheres fantásticas, e todas trouxeram as suas próprias skills e criatividade aos projetos aqui mostrados. Estas colaborações resultam nos melhores visuais e projetos em geral. Quanto a trabalhar com clientes, a chave é a confiança. Mantermo-nos fiéis às nossas decisões criativas é uma parte importante no que toca a assegurar um bom trabalho. Eu por vezes tinha dificuldade com isto, mas descobri que ganhar mais experiência é a melhor forma de construir a nossa confiança.

Qual é o projeto profissional do qual mais se orgulha até agora?

Tenho o maior orgulho nos projetos mais recentes como as residências em West Hollywood EDITION, 108 LEONARD, e One Hundred East Fifty Third Street by Foster + Partners, onde trabalhei como diretora criativa e tive a oportunidade de estar envolvida com todos os aspetos do projeto.


108 Leonard, DBOX

Que outros interesses artísticos ou outlets criativos gosta de explorar fora do dia a dia no trabalho?

Eu amo fotografia, especialmente tirar fotografias em viagens e fotos dos meus dois filhos. Gosto também de fazer pequenos (e por vezes grandes) projetos de design em casa. Há alguns anos, o meu marido e eu desenhámos e renovámos o nosso apartamento inteiro e fizemos nós todo o trabalho.

Para onde vê a indústria a caminhar? Parece-lhe que vai ser significativamente diferente daquilo que é hoje? Se sim, como?

Acho que já estamos a ver uma mudança no conteúdo visual que nos é pedido. Ao certo que iremos criar experiências mais interativas e imersivas, tal como desenhar cada vez mais conteúdo criativo específico para publicidade digital/ redes sociais. Mas, mesmo com esta mudança, parece que nós continuamos a fazer tantas imagens fixas (still renderings) quanto antigamente, se não mais ainda.


The XI for HFZ Capital Group, 2018, DBOX

Por favor nomeie cinco artistas, criativos ou empresários (fora da industria do arch viz) que a tenham inspirado

Na aula que eu ensino em conjunto, usamos muitos artistas diferentes como inspiração, e salientamos o quanto há para aprender através do trabalho de outros artistas.

Julius Shulman e Ezra Stoller – Mestres da fotografia de arquitetura, estabeleceram uma relação simbiótica com os arquitetos cujo trabalho documentaram, criando composições que inspiram o arch viz ainda hoje.

Edward Hopper and Canaletto – Mestres em luminosidade, utilizam-na como uma ferramenta de storytelling e sugestão de mood e emoções, de formas que são excelentes referências para arch viz.

Peter Funch and Gregor Graf – O trabalho deles mostra-nos o poder da edição de foto aditiva e subtrativa, e a sua habilidade para documentar tempo e alterar a nossa perceção de uma cena.


Prospect Park's LeFrak Center for Tod Williams and Billie Tsien Architects, 2012, DBOX

Por favor nomeie cinco artistas dentro da indústria que acredita terem influenciado o seu trabalho pessoal ou a própria indústria.

Eu juntei-me à DBOX pouco depois de sair da universidade em 2004 e, portanto, o meu trabalho pessoal tem sido maioritariamente influenciado por todas as pessoas fantásticas que cá trabalham - Matthew Bannister, Keith Bomely e Martin Solarte, para nomear alguns.

Enquanto mulher, sente que teve de se esforçar mais ou fazer algo diferente dos seus colegas masculinos para chegar onde se encontra?

É claro que há áreas em que tive de trabalhar muito para provar o meu valor e ganhar o respeito dos meus colegas e clientes. Eu foquei-me em usar as minhas valências artísticas em conjunto com o meu background em arquitetura e a habilidade de trabalhar bem com clientes para me ajudar a construir o meu sucesso.

Que conselho daria às mulheres que pensam em entrar na indústria do arch viz?

Façam-no! Isto é uma indústria incrivelmente interessante. É uma mistura fantástica de arquitetura, design, arte e tecnologia. Acho que o aspeto mais importante para se tornarem ótimos em arch viz é desenvolver o olho artístico; fotografia, desenho e pintura são tudo ferramentas que ajudam o nosso entender de luz, composição e storytelling.

One West End for Elad Group and Silverstein Properties, 2014, DBOX

Qual acha que será o maior desafio para a geração de mulheres que vem depois de si, no que toca a trabalhar na indústria?

Acho que um dos maiores desafios vai ser chegar a papeis de liderança. Quantas mais são as mulheres capazes de chegar a esses cargos, mais acolhedores paras as novas gerações de mulheres que estão a entrar no arch viz se tornarão os locais de trabalho.

Ironicamente, notei que geralmente as mulheres artistas dentro da indústria do arch viz são algumas das pessoas mais talentosas dentro da área. Diria que concorda? Se sim, porque pensa que isso acontece?

Concordo completamente. Muitas mulheres começam uma carreira em arch viz porque têm um background em arte e design muito forte, o que é a chave para se tornar num bom artista nesta área.

2011, DBOX

Onde é que se vê daqui a 10 anos? O que está a fazer e como é que lá chegou?

Espero estar ainda a trabalhar em arch viz e envolvida em projetos incríveis. Estou entusiasmada por trabalhar em novos tipos de conteúdo criativo e experiências à medida que a indústria evolve. Espero também vir a trabalhar com ainda mais mulheres e ser capaz de servir enquanto mentora de uma nova geração de mulheres no arch viz.

Por favor escolha um dos seus projetos favoritos e fale-nos dele

Um projeto do qual ainda estou super orgulhosa é o set de visuais e apresentação interativa que mostra o Santiago Calatrava’s World Trade Center Transportation Hub, que criámos para Westfield em 2012. O maior desafio desse projeto foi desenhar uma ferramenta para explicar o labirinto do espaço comercial subterrâneo, tal como a sua conexão aos transportes e a sua localização perto da cidade de Nova York.

Começamos por selecionar um ponto chave de vantagem que capturava a zona toda e podia ser usado para contar a história a várias escalas. A partir daí, criamos um set de diagramas visuais, alguns a identificar as vizinhanças e negócios locais, e outros que cortavam através de cada andar e simplificavam o espaço num plano mais fácil de entender.


Em adição às imagens diagramáticas, criámos um set de renders que mostrava o interior do transportation hub. Desenvolvemos ainda uma série de sequências animadas que levavam o observador por quatro das entradas WTC e pelo espaço comercial subterrâneo que acaba no oculus.


World Trade Center Transportation Hub for Westfield, 2012, DBOX

World Trade Center Transportation Hub for Westfield, 2012, DBOX


Traduzido por Maria Duarte

Artigo em inglês






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