Forbes Massie- Vessel do estúdio Heaterwick

Atualizado: 8 de Jan de 2019


A história por trás destas surpreendentes imagens de visualização de arquitetura


Como qualquer outro grande artista, conseguimos identificar imediatamente as imagens de visualização de arquitetura de Forbes Massie. As suas imagens elegantes e sedutoras harmonizam edifícios criados em computador com um ambiente, como se sempre tivessem estado lá. Os fundos conscientemente demasiado expostos, e o formato quadrado das imagens faz com que o tema pareça retro, mas de uma maneira muito atual, como se tivessem sido tiradas com uma Hasselbad que viaja no tempo.




“A nossa abordagem é basicamente a mesma, independentemente do tema,” diz Forbes. “A câmara está ao nível do olhar, e fazemos imensas imagens quadradas. Mantemos-nos sempre fiéis à arquitetura. “Nós esforçamos-nos para que as nossas imagens sejam vistas como arte, emoldurada e pendurada na parede.”

O estilo da imagem de marca de Forbes Massie, já fez com que ele tenha ganho vários projetos à volta do mundo, embora o escocês admita uma preferência pela sua casa adotada em Londres, onde armazéns Victorianos e igrejas medievais se encontram com monólitos de vidro e aço do século XXI. Ele dá toques de carácter às suas imagens: uma figura estilo Sherlock Holmes, por exemplo, inserida no primeiro plano dos edifícios Georgianos modernizados na Blossom Street em Londres.



As imagens para o Vessel, criadas para o estúdio de arquitetura de Heatherwick, representaram um novo desafio para Forbes. A localização é o re-desenvolvimento em progresso de Hudson Yards em Nova Iorque. E a estrutura é uma combinação complexa de espaço público e arte pública, uma cavidade cilíndrica de rampas concêntricas e escadarias. Faz lembrar o abdómen de um inseto enorme que plantou o seu ferrão em Manhattan, enquanto as suas 154 escadas dão um toque de MC Escher.


Não é o típico projeto de Forbes Massie, mas a abordagem de Heatherwick deixou o artista entusiasmado e abordo do projeto. “O que realmente o vendeu foi a formação do estúdio de Heatherwick, a maneira como eles estavam a investigar as vistas,” diz Forbes.” Era evidente que não era um projeto louco que eles estavam a tentar retratar de uma maneira que não é à escala humana. Vou andar e olhar para o edifício, é assim que seria visto na realidade. E eles permitem-nos mantermos-nos fiéis a isso.”



Graças à perspetiva de Forbes e dos estúdios de Heatherwick, o estilo extraterrestre de Vessel está verdadeiramente assente na realidade. Tal como todas as suas outras imagens, a beleza do seu trabalho em Vessel é que subtilmente arrasta a nossa atenção para a construção. Numa das imagens, Vessel é diminuído pelos arranha-céus que o rodeiam, mas a sobre-exposição do sol atrás dele, e uma névoa no fundo, asseguram que se destaca na mesma. Noutra imagem, manchas de luz e sombra tornam um número desconcertante de escadas mais compreensível e digerível.




Iluminação

Esta manipulação da luz é a chave para a arte das imagens de Forbes – ele usa-a para subtilmente realçar aspetos chave da sua arquitetura, dar ênfase a certos materiais e quebrar a simetria. Para assegurar que a luz é absolutamente a mais correta, Forbes testa os modelos minuciosamente com o V-Ray sun (sol) ao longo do dia, saltando em períodos de 15 minutos para encontrar as melhores condições para aquele edifício em particular. Com o Vessel, no entanto, a altura do dia foi imediatamente óbvia para Forbes.

“A paleta de materiais, a cor do bronze e do cobre, inclina-se para a luz quente,” diz ele. “Nós pensámos que podiam subir o Vessel enquanto o sol se põe. Ou, que poderiam vir pessoas do fitness durante a manhã. Ou uma reunião de manhã, para se ver o nascer do sol. Isso dictou o a nossa decisão acerca de onde é que o sol devia estar.”


O resultado é uma série de imagens onde podemos sentir o calor do sol, nas superfícies metálicas douradas do Vessel, ou sentir a nossa respiração cortada assim que nos aproximamos do nível mais alto num dia de inverno nítido. Humaniza a arquitetura, e torna-a em algo tangível e com o qual nos conseguimos relacionar.

Quando Forbes fica contente com o render, é exporta-o para o Photoshop para pós-produção. Neste passo vital, Forbes olha para os fotógrafos, como Nadav Kander e Edward Burtynsky, que tiram fotografias incríveis de paisagens do mundo real e depois editam-nas para adicionar um estado de espírito e emoção. É na fusão do realismo do V-Ray com a manipulação da realidade no Photoshop, que Forbes cria imagens que captam o nosso olhar.

“Nós adoramos o V-Ray porque tem a capacidade de criar um render base fenomenal,” diz Forbes. “Depois permite-nos, como artistas, com todos os passes e channels, e a reflexão e refração, ajustar todos esses elementos. Depois temos que juntar a pós-produção, para criar um estilo evocativo de pintor.”





Construção de equipa

O “nós” a que Forbes se refere é uma pequena mas muito dedicada equipa de 10 pessoas. Ele senta-se na frente do seu escritório em Bermondsey, onde é rececionista e chefe. Ele fica ao pé da sua bateria, enquanto os seus artistas se focam intensamente em 3ds Max, V-Ray e Photoshop. Forbes tenta contratar pessoas que partilham a sua visão, ou que demonstram potencial para entender como se obtém aquele estilo distintivo de Forbes Massie.

Em vez de “arrumar” os seus artistas por modelação, iluminação, ou Photoshop, todos participam em tudo, trabalhando de júnior, para artista, para sénior, para sócio. Esta abordagem democrática significa que todos têm interesse em fazer projetos tão bons quanto possível.



“Eu acho que é muito melhor para o artista, porque eles podem falar com o cliente, eles é que mandam e-mails, e estão muito mais envolvidos nos projetos,” diz Forbes. “Todos têm que cortar pessoas no Photoshop de vez em quando. Mas eu acho que é melhor estarem a aprender do que simplesmente serem arrumados por funções. E é melhor para o nosso modelo de negócio, porque podemos trabalhar em mais que um projeto de cada vez.”

A cultura do estúdio de Forbes tem outras vantagens: Ele sente que aprendeu tanto com os seus artistas como eles aprenderam com ele. Ele dá crédito a Francesco Bonanomi em particular pelo seu trabalho como artista principal no Vessel – mas Francesco dá o mesmo crédito de volta a Forbes. Esta troca de conhecimento constante entre Forbes e os seus artistas significa que o estilo de Massie está sempre a evoluir mas sem nunca perder o deu ADN fundamental.



Vessel, é talvez, o projeto Forbes Massie perfeito. As imagens têm aquele estilo tradicional de Forbes: quadrado, frontal, atmosférico, uma mistura precisa de grandeza e calor, para destacar o edifício. Mas o facto de Forbes ter assumido um projeto tão complexo e desafiante tecnologicamente, revela um estúdio que está desejoso por inovar e manter-se no limite da inovação da visualização em arquitetura.



O estilo de Forbes provou-se bem-sucedido para os estúdios Heatherwick. As suas imagens foram republicadas em mais de 50 publicações, incluindo o New York Times e Vanity Fair. Forbes adora a imagem impressa – no ano passado ele apresentou uma exposição das suas imagens, e publicou dois generosos livros de renders. Mas, ao mesmo tempo, está a experimentar animação, de uma maneira em que controla para onde o espectador está a olhar e o que vê.



“A câmara mantém-se completamente imóvel, mas a história vai-se desenrolar através da maneira como a luz se move,” diz ele. “Eu sei que alguém vai dizer, ‘Oh, estás apenas a mover o sol. Isso é muito fácil.’ E de facto é. Mas como o fazes e para onde olhas é a parte difícil.“




Autor: Henry Winchester

Artigo em Inglês

Traduzido por Sara Correia

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