Desenhar o futuro com V-Ray para Rhino




Desde a escassez de comida à falta de habitação, Andreas Tjeldflaat aborda as maiores crises urbanas da humanidade. Descobre como o V-ray para Rhino o ajuda a visualizar soluções.


Andreas Tjeldflaat pretende re-imaginar a forma como nós pensamos a arquitetura e o design. Através da sua empresa, Framlab, ele estuda assuntos humanitários urgentes, como a falta de habitação, a solidão e a segurança alimentar, e cria soluções práticas e convincentes. O seu trabalho já foi publicado na Dezeen, Fast Company e The New York Times; já deu aulas na University of Pennsylvania, Columbia University e também no New York Institute of Technology; fez inclusive parte do painel de discussão da UN sobre a falta de habitação para sem-abrigo.


Andreas é tão fluente em software como o é em inovação sustentável. Através do V-ray para Rhino, ele cria imagens foto-realistas incríveis das suas propostas de estruturas para desenvolvimento urbano. Nós juntamo-nos a ele para descobrir como podemos redirecionar as nossas cidades para um propósito mais humanitário e amigo do ambiente.



Pode falar-nos um pouco de si e do seu background?


Andreas Tjeldflaat: eu sou um arquiteto e designer de engenharia norueguês com base em Nova York e em Bergen, na Noruega. Sou fundador do estúdio de inovação, Framlab, e já trabalhei para varias empresas de design e arquitetura em Nova York, Copenhaga, Oslo e Taipei.


Porque é que fundou a Framlab?


AT: A minha ambição ao fundar o Framlab foi explorar o design enquanto ferramenta para enfrentar alguns dos desafios sociais e ambientais mais urgentes. Este estúdio opera como um laboratório capaz de investigar assuntos complexos de diferentes pontos de vista, confrontá-los com perguntas do tipo “e se”, e desenvolver soluções capazes de direcionar uma mudança sistémica.



Qual acha que será o papel dos arquitetos e designers no futuro?


AT: Eu acredito que a necessidade de um pensamento lateral e de uma abordagem holística vai-se tornar cada vez mais importante à medida que a magnitude e complexidade dos desafios do mundo vão aumentando. Enquanto os designers se tornam já fluentes nestes métodos, o papel do design vai cada vez mais girar em torno de resolver estas questões globais e sistémicas. Isto vai gerar uma necessidade de maior foco na colaboração, comunicação e trabalho interdisciplinar.


Eu desde sempre que pensei no papel do design enquanto tecnologia de conexão para as necessidades humanas, e as tecnologias emergentes vão reforçar ainda mais esta relação.


Quando foi a ultima vez que conversou com os seu vizinhos? num estudo feito em 2019, três em cada cinco americanos reportaram sentir-se sozinhos, e esta isolação pode ser exacerbada pelo design compartimentado das residências urbanas modernas. Com a Open House, a Framlab procura resolver este problema através de um sistema de construção modular que conecta os seus ocupantes com a natureza e luz natural - e outros seres humanos.


Onde encontra a inspiração para os seu designs?


AT: A inspiração no design vem de uma ampla variedade de lugares. Enquanto pessoa curiosa, desde sempre gostei de aprender coisas novas e explorar diferentes ramos de conhecimento - ciências naturais, história, psicologia, humanidades - permitindo-me extrair e cruzar diferentes ideias durante o processo de design. Esta curiosidade impulsiona-me também a fazer perguntas e a procurar entender outras perspetivas.


No que toca a projetos de comunicação, encontro inspiração noutros campos criativos: pintura, fotografia, ilustração, filmes. Os que me vêm agora á cabeça são Mir, Fernando Guerra e Cruschiform - todos eles mestres em composição, luz e narrativa.


Poderia falar-nos um pouco sobre o processo de criação de um dos seu designs, desde o conceito inicial até ao render final?


AT: O meu processo de design varia dependendo da natureza do projeto. De forma geral, começo por identificar o problema principal do projeto. Isto normalmente não está definido de forma clara o suficiente na proposta de design e está dependente da fase inicial de pesquisa para ser investigado mais a fundo. Através da leitura, observação, conversas com especialistas, etc., tento envolver-me nas camadas de contexto em redor do projeto (ambientais, tecnológicas, sociais, infraestruturais, económicas, etc.) para perceber de forma clara quais são os pontos de contacto e partes de interesse.


À medida que os objetivos do projeto ficam mais claros, começo então a testar ideias iniciais e rudimentares através de diagramas, rascunhos á mão, modelos digitais feitos com Rhino e renders rápidos com o V-ray, com a resolução do design o mais baixo possível. Esta fase de síntese inicial concentra-se maioritariamente em quantidade de forma a esgotar o “quadro de soluções” de ideias.


De seguida, entre dois a cinco desses conceitos vão ser estudados e desenvolvidos com uma resolução de design maior. Vou depois testá-los em relação aos objetivos da proposta e através do feedback de clientes e partes interessadas. Neste ponto, à medida que o conceito final se começa a focar e eu desenvolvo vários dos detalhes do projeto, a renderização torna-se uma das ferramentas mais importantes para impulsionar o desenvolvimento do design e ajudar a comunicar ideias.



Abrigo com dignidade


Combater a situação dos sem-abrigo é um desafio único e complexo para a maioria das cidades, em que a falta de acesso a espaços de abrigo seguros e limpos representam um problema em particular na cidade de Nova York. Abrigo com Dignidade reaproveita o espaço vertical vazio nas laterais dos edifícios enquanto acomodação temporária com forma de colmeia. As unidades são impressas em 3D em plástico com laminado de madeira, o que dá aos seus ocupantes um espaço quente e amigável para se viver, enquanto as janelas de vidro inteligente conseguem alterar entre a vista expansiva e privacidade para os residentes.



Como é que a visualização com V-Ray para Rhino ajuda a dar vida ás suas ideias?


AT: O V-Ray desempenha várias funções criticas ao processo. Para mim, é primariamente uma ferramenta de design para visualizar e testar ideias contextualmente. Através de mockups digitais, a renderização oferece-nos um feedback imediato no que toca à luz, texturas, materiais, etc., permitindo-me calibrar o projeto em relação ao seu uso em cenários, localização e contexto. Em segundo lugar, O V-Ray dá força ao processo pois permite-nos uma comunicação mais efetiva do projeto aos clientes e partes interessadas.


. . . o V-Ray conseguiu atingir o balanço perfeito entre nível de controlo e facilidade de utilização. Ele minimiza a distância entre a ideia e o feedback, enquanto nos permite níveis elevados de customização da cena.

Andreas Tjeldflaat, Framlab


Consegue pensar nalgum desafio que o V-Ray seja particularmente bom a resolver?


AT: Para mim, o V-Ray conseguiu atingir o balanço perfeito entre nível de controlo e facilidade de utilização. Ele minimiza a distância entre a ideia e o feedback, enquanto nos permite níveis elevados de customização da cena.




Como é que garante que os seus modelos se integram perfeitamente com as imagens de fundo?


AT: Isso é conseguido através do estudo dos atributos visuais da imagem de fundo - perspetiva, cor, tonalidade, direção da luz, sombras, etc., e combiná-los o melhor possível na cena de CGI. Normalmente tento também situar o projeto no meio da cena.





Plug & Dwell


Com o Plug & Dwell, a Framlab procura trazer a modulação para os espaços interiores. Os proprietários podem escolher uma variedade de painéis leves pré-fabricados completos com acessórios de canalização, fiação, eletrodomésticos e espaços de arrumo. Estes são depois envidados para as suas casas e montados rápida e facilmente por duas pessoas. Permite mudanças rápidas por capricho - ou que famílias levem