O novo mestre: Ian Springgs fala de fotorealismo e retratos

Atualizado: 8 de Jan de 2019


Ian Sringgs fala com Chris Nichols dos laboratórios de CG acerca da suas incríveis imagens.

O artista de gráficos de computador Ian Springgs é único. Ele criou personagens para ilustres estúdios como Mr.X e ILM em filmes como o Batman v Superman: Dawn of Justice, Harry Potter and the Deathly Hallows: Part1, and Warcraft: The Beginning. Neste momento, está a criar monstros horrorosos para os estúdios de Neill Blomkamp.

No seu tempo livre, Ian aperfeiçoa a sua arte fazendo retratos dos amigos chegados e da família – e até mesmo dele próprio. Estes são marcantemente realistas, mostrando uma incrível atenção ao detalhe, composição, pose e iluminação como os mestres holandeses no século XVII. No entanto eles são inteiramente feitos a computador, com cabelo e pele de última tecnologia, simulando com precisão uma cópia do mundo real.

Naturalmente, o trabalho de Ian captou a atenção de Chris Nichols dos laboratórios de CG, que através do projeto Digital Human League, está a tentar criar pessoas virtuais. Nesta conversa, os dois falam sobre a carreira de Ian, as suas influências, e o processo por trás dos seus maravilhosos retratos.



Chris: Os teus retratos parecem ser inspirados pelas belas artes. É algo que tenhas estudado?


Ian: Eu frequentei a faculdade de artes durante 5 anos, tenho um bachelor em belas artes, e ainda estudei um pouco de história de arte. Os mestres sempre foram um dos grandes picos da arte para mim. Eles alcançaram, esteticamente, algumas das maiores obras de arte alguma vez criadas. Eu sinto que nós devíamos referir-nos a isso sempre de uma maneira: aprender sempre com isso mas continuar a evoluir. É a minha âncora, acho.


Parece que muitos dos teus retratos são também inspirados pelos mestres holandeses.

Sim, eu também os estudei um pouco. Por exemplo, o retrato de Richard Springgs, foi inspirado por uma pintura em particular de Rembrandt, que eu adoro absolutamente. Preparei o mesmo tipo de iluminação, quando o meu irmão veio. Ele pousou da mesma maneira e tirei logo imensas fotografias. Não estava a copiar Rembrandt diretamente, mas estava a deixar que ele me inspirasse e a tentar recrear algumas das suas obras de arte.


Fizeste algum retrato to teu pai?

Sim. Eu já fiz os retratos de todos os membros da minha família até agora, à exceção do meu sobrinho. Eu acho as crianças muito difíceis, por isso vou apenas esperar que ele cresça. Já retratei ambos os meus irmãos, cunhada, e os meus pais. Eu tento focar-me no que é importante para mim, e a minha família está perto por isso decidi retratá-los a todos.



O retrato do teu pai, dá a impressão de que ele é um arquiteto. Isso é verdade?

Ele é um engenheiro de canalização, mas ele costumava fazer imensos desenhos à mão. Quase nunca usava o computador, então estava sempre a fazer rascunhos. Ele tinha alguns desenhos muito detalhados, que me mostrou, e eram muito bons. Esses rascunhos só por si eram como arte.


O que é que te inspirou a ti e aos teus irmãos a seguirem artes?

Eu tenho dois irmãos. O meu irmão mais novo é o supervisor de animação no MCP em Vancouver. Ele é muito bom, na minha opinião. O meu irmão mais velho, é um artista de instalações. Ele acabou de ter uma exposição em Pittsburgh, e já expôs os seus trabalhos no Dubai e na China. Ele trabalha a uma grande escala, por exemplo 6 a 9 metros.

Desde que éramos novos, sempre adorámos estar cercados por arte e material de desenho. Os meus pais ensinavam-nos o básico. A minha mãe ensinou-me, em vez de desenhar braços que parecem noodles, a reparar mesmo na anatomia, a olhar para o cotovelo e então eu desenhava um pequeno ângulo para os cotovelos. Depois, ao ter dois irmãos que também gostavam de arte, nós íamos-nos inspirando uns aos outros para fazermos sempre um melhor trabalho. Ainda é algo acerca do qual comunicamos muito.


Em que é que andas a trabalhar agora para Neil Blomkamp, se é que posso perguntar?

Estou a modelar personagens e criaturas, não posso contar muito mais acerca do trabalho, mas ele costuma vir ter comigo e dizer “Oh, tenho uma ideia fantástica. Preciso desta criatura.” E depois dá-me alguns conceitos e ideias e eu tento desenhá-la assim, e passo duas semanas a modelar essa criatura. É bastante divertido!


Podes explicar-me o processo de criação do teu retrato maravilhoso de Steve Wang?

O Steve Wang é um amigo próximo. É um artista conceptual. Eu gosto do trabalho dele, e perguntei-lhe se ele queria fazer um retrato, e ele aceitou logo. No estúdio fiz logo a preparação das luzes, organizei o espaço, e olhei para alguns trabalhos dos grandes mestres à procura de inspiração.

A seguir, tirei algumas fotos, tentámos poses diferentes, e alterei as luzes várias vezes. Ele provavelmente deu-me uma hora do seu tempo apenas para o fotografar. E fiz uma rotação de 360 graus, também.

Assim que tenho o que eu preciso, posso começar o modelo.


Eu sei logo à partida como é suposto ficar. Vou simplesmente solucionando os problemas até que pareça a ideia que eu tenho na cabeça.
Ian Spriggs, Artista 3D


Então tu apenas fazes modelação, não fazes fotogrametria ou algo do género?

Basicamente. Eu uso uma base que já construí antes. É muito fácil de simplesmente pousar e já ter algo por onde começar. A modelação não demora muito tempo, a seguir tento logo fazer a iluminação.

Eu trabalho principalmente para a câmara. Assim que obtenho uma boa luz, a texturização torna-se muito mais fácil. Nunca é um processo linear. É bastante aleatório, saltando entre a textura e a iluminação, a composição e de volta à modelação – é como se estivesse a desembrulhar um nó. Eu sei logo à partida como é suposto ficar. Vou simplesmente solucionando os problemas até que pareça a ideia que eu tenho na cabeça.


Quais são algumas das ferramentas que usas?

Maya, Mudbox, Photoshop. Eu uso o Mudbox para texturizar, e renderizo com o V-Ray para Maya.

Como é que fazes o cabelo?

Em Maya, com um material V-Ray anexado.

Como é que encontras tempo para os teus retratos, tendo um emprego diário?

Eu não o vejo realmente como trabalho para ser sincero. Eu sei que a maioria das pessoas vê televisão e relaxa, mas eu acho relaxante trabalhar nos meus retratos. Nem sequer passo muito tempo a fazê-los. Não é como uma corrida para os tentar acabar depressa. Desde que trabalhe um pouco neles cada dia, e nunca me forçar tanto que me farte, é muito mais produtivo.

Qual seria o teu tema de sonho num retrato?

Essa é uma boa pergunta. Eu acho que ainda estou a tentar descobrir isso. É definitivamente a figura humana. Acho que gostava de encontrar um tema em que eu pudesse expressar o estado de espírito de uma pessoa através dos seus olhos, em vez de pela sua aparência física. Com os mestres sentimos sempre que vemos uma pintura e sabemos o que é que a pessoa retratada está a sentir. Algumas destas pinturas têm centenas de anos e mesmo assim olhamos para elas e sabemos exatamente como eles se sentem.




ACERCA DO AUTOR - Henry Winchester

Henry Winchester é o escritor e editor principal do Chaos Group. Ele é apaixonado por VFX, archviz e design. Vive em Bristor, no Reino Unido, mas podemos encontra-lo frequentemente em eventos Chaosgroup na Europa e nos Estados Unidos.


Artigo original em Inglês

Traduzido por Sara Correia


Contacto: hello@vray.pt
Todas as imagens presentes neste site (excepto referentes aos artigos do blog) foram criadas por instrutores ou alunos da Vray.pt e por conseguinte têm os direitos de autor reservados. Qualquer uso das mesmas, seja em formato original ou alterado é proibido. Para obter uma licença de utilização por favor contacte-nos.
© vray.pt 2018. Portugal. Todos os direitos reservados.