No estúdio com Beauty and The Bit



Hoje visitámos um estúdio na cidade de Madrid, cujas imagens têm um estilo muito pessoal e facilmente reconhecível, tanto nacional como internacionalmente; estamos a falar de Beauty and The Bit.


Conversámos com Víctor Bonafonte, o diretor criativo, que nos conta um pouco sobre o início do estúdio, o seu processo de trabalho e a sua cultura empresarial, o que lhes permitiu que se posicionassem rapidamente na indústria graças à alta qualidade do trabalho.


Esperamos que goste desta leitura!



1. Quem são os Beauty and The Bit e como nasceu o estúdio?

Beauty and the Bit é um grupo de criativos visuais baseados em Madrid. O estúdio nasceu já há mais de 6 anos. Eu trabalhava como arquiteto há 10 anos e, quando a crise chegou a Espanha, a Lina e eu acreditámos que estava na hora de embarcar nesta nova aventura. Eu trabalhei como arquiteto durante anos e sempre tivera muita curiosidade pela parte mais gráfica da profissão, fui aprendendo à minha própria maneira e formando-me nesse campo até ao ponto em que decidimos dar o salto e fundar o Beauty and The Bit.



2. Beauty and The Bit é um estúdio com um foco familiar muito particular. Pode-nos falar um pouco sobre a vossa cultura empresarial?

De certa forma, há parte da família na empresa, mas, além dos laços familiares, tentamos fazer com que o ambiente, o tratamento e o espírito que se respira no escritório sejam o de um grupo de amigos. Esta é uma profissão que por vezes se torna bastante stressante e por isso mesmo pensamos que quanto mais felizes formos, melhor desenvolvemos o nosso trabalho. É por isso que, embora hajam momentos difíceis no estúdio devido à pressa, pressão, etc., todos os dias tentamos dar uns risos. O riso gera endorfinas e as endorfinas são boas para a arte. Por outro lado, acho que somos um estúdio pequeno (7 pessoas), mas somos felizes assim. Eu penso na B&TB como um estúdio "boutique" visto que não nos interessa para nada a produção em massa ou fazer dinheiro com projetos chatos e desinteressantes e "o nosso produto é muito destilado e com um grande laço rosa a dizer BTB".



3. As vossas imagens têm um alto valor artístico e cumprem também o objetivo final, que é comunicar uma ideia. Como é que conseguem alcançar esse equilíbrio entre a arte e o serviço?

É a nossa obrigação se queremos fazer algo diferente. Nasce realmente a partir do momento em que não consideramos uma imagem como um serviço, mas sim como uma expressão artística a serviço de certos interesses, isso sim. Parece mesmo o mesmo, mas há uma grande diferença. É como contratar um fotógrafo para tirar fotos a um prédio. Existe um tipo de fotógrafo que chega, monta um tripé e dá ao botão; e logo a seguir existe o outro tipo de personagem que vai estudar o melhor ângulo, a melhor luz, a melhor história, etc. e só quando ele encontra tudo isso, então sim pressiona o botão. Nós somos do segundo tipo. Acreditamos que muitas vezes os arquitetos não escolhem este tipo de imagens simplesmente porque não conseguem imaginá-las. Mas assim que as vêem a maioria ficam rapidamente convencidos.


4. Victor, fale-nos uma pouco sobre o seu perfil pessoal enquanto diretor criativo da Beauty and the Bit e também como palestrante em alguns eventos da indústria.

Bem, a faceta de diretor criativo é algo que herdamos enquanto uma empresa próspera. Quero dizer que, no começo, tornámo-nos naquele ser omnipresente que faz tudo ... produção, pós-produção, atendimento ao cliente, fazer cafés, etc. Eventualmente chega um momento em que deixamos de conseguir fazer todas essas atividades por falta de tempo, então começamos a ter que delegar certas partes da produção. Embora eu ainda produza e trabalhe em imagens todas as semanas visto que é minha paixão e algo que eu genuinamente gosto de fazer (honestamente muito mais do que lidar com clientes), hoje em dia não posso fazer tanto quanto gostaria e então sou mais seletivo com isso. A minha tarefa atual consiste mais em canalizar como chegar ao ponto B desde o ponto A. Como fazê-lo, em quanto tempo e com quais diretrizes. De certo modo, é como se eu fosse um maestro de uma orquestra que tem a imensa sorte de ter uma equipa de músicos que admiro profissionalmente, mas muito mais, se possível, do lado humano. Eles são Músicos com letra maiúscula e fazem com que esta partitura que é a B&TB ganhe vida e soe bem. Quanto ao assunto de ser palestrante, eu gosto sempre de participar nesses eventos porque eles são como uma congregação de geeks com problemas e alegrias muito semelhantes. Sempre que posso participo, embora seja verdade que ultimamente tentei participar mais em outros tipos de eventos "menos arquitetónicos", como o Trojan Horse, Paris IAMAG ou Mundos Digitales. Acredito que é importante para quem trabalha no mundo da criatividade ter um espírito aberto em relação às coisas e não se restringir a uma parcela exclusivamente.



5. Quais são as suas referências e sua inspiração para o dia a dia? Cinema, Pintura, Escultura, Matte Painting, Ilustração, Design Gráfico, Comics, Videogames... Música e, em geral, qualquer coisa que não seja estritamente arquitetura. Nós gostamos de beber de outras fontes e acreditamos que é o mais saudável no que toca à criatividade.

6. Como é o fluxo de trabalho da Beauty and the Bit, como constroem a vossa proposta artística? Baseado em esboços. Acreditamos que é a maneira mais eficaz de convencer alguém de que aquela é a decisão acertada. Podemos ter em mente a direção artística que desejamos dar a uma certa imagem, mas a outra pessoa tem também que imaginá-la, e não há melhor maneira para isso do que com esboços. 7. Que recomendações poderia dar às pessoas que estão agora a começar na indústria? Quais são as vossas regras básicas dentro do negócio? Nunca parar de aprender. Não seguir fórmulas. Não idolatrar ninguém. Questionar tudo. Autocrítica. Disfrutar do que fazem. Divertir-se no trabalho. Trabalhar arduamente. Descansar o suficiente e dar o máximo. Pode soar como um clichê, mas para nós funciona.

8. O que é que procuram num artista na hora de formar uma equipa em Beauty and the Bit?

Obviamente, nós valorizamos que tenha uma alta componente artística e um bom olho. A técnica também conta, mas nem sempre é o que conta mais. Muitas vezes o instinto é mais importante que a técnica. Mas tudo isso não faria sentido se não fosse uma ótima pessoa. Atribuímos uma grande importância à qualidade humana dos artistas, uma vez que, como eu já comentei, é muito importante para nós que haja uma atmosfera positiva no estúdio.


9. Qual é a vossa visão do futuro da indústria de visualização arquitetónica, tanto a nível nacional como internacionalmente? Honestamente, eu não sou uma pessoa que goste de especular a esse respeito. Há muita tecnologia nova que precisa ser provada, mas se há algo do qual tenho a certeza é de que independente da tecnologia está o gosto e o know-how. Isso não nos é ensinado nem dado pela tecnologia; portanto, para continuar a caminhar em direção ao futuro, há que nos cultivar em todas as disciplinas. Vejo sempre o futuro como algo excitante e nunca como algo ameaçador.

Espero que tenham gostado desta entrevista, se estão interessados em conhecer mais algum do trabalhado de Beauty and the Bit podem visitar os seguintes links:

https://www.beautyandthebit.com/ https://www.facebook.com/beautyandthebit/



Artigo original em espanhol

Traduzido por Maria Duarte

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