Double Aye

Atualizado: 8 de Jan de 2019


O rebelde estúdio que está a virar a visualização arquitetónica ao contrário.

Os vídeos de visualização arquitetónica do estúdio sérvio Double Aye viram tudo de cabeça para baixo – literalmente. Eles exploram cenas lindamente renderizadas de ângulos diferentes, virando e acelerando a câmara como se estivesse numa pequena montanha russa, passando através das portas e até mesmo duplicando a visão. É como estar bêbedo numa casa muito bonita.

Conversámos com o fundador Ivan Stevanovic acerca do processo que está por trás das suas imagens e vídeos incríveis e como eles dividiram a indústria.


Podes contar-me um pouco acerca do teu passado, e como vieste a trabalhar em visualização arquitetónica?


O meu primeiro trabalho de visualização arquitetónica foi uma experiência terrível, e nada como eu tinha imaginado. Foi como se tivesse levado um murro na cara. Mas decidi persistir e dar-lhe outra oportunidade. Reuni força suficiente para arranjar outro trabalho, mas desta vez foi com pessoas diferentes e estava muito mais relaxado, e desde aí que estou em visualização arquitetónica. Aprendi muito acerca desta indústria, e já tinha experiência de trabalho suficiente para, em 2015, começar o meu próprio estúdio, Double-Aye.


A Sérvia é um bom lugar para se estar a fazer visualização de arquitetura?


A resposta curta é: sim e não. Já fiz alguns trabalhos aqui e foi frustrante – ou os projetos não eram interessantes, ou era muito pouco dinheiro. Existem imensas pessoas a trabalhar em visualização arquitetónica na Sérvia, mas trabalham principalmente para clientes noutros países. À medida que o mundo está a aceitar a ideia de trabalhar online, as coisas estão a mudar para melhor.

Os meus clientes estão na União Europeia, no Reino Unido e nos Estados Unidos da América. São países bem situados com desenvolvimentos que requerem uma visualização arquitetónica de alta qualidade.


Consideras que é fácil arranjar novos clientes?


Eu sou muito exigente com as pessoas com quem trabalho. Em cerca de 95% dos casos, quando estou a trabalhar muito, tento não me envolver demasiado mentalmente. Mas a recompensa é quando alguém te permite ser criativo, e esses 5% dos clientes são o suficiente para equilibrar a balança. Estou disposto a oferecer-lhes tudo, e isso demonstra energia, devoção e paixão no meu trabalho.


Os movimentos da câmara nos teus vídeos de visualização arquitetónica são muito loucos. Como é que isso aconteceu?


Se me estás a fazer essa pergunta, é porque estou a acertar. Não há como ser formal na criatividade. Trata-se de nos divertirmos no mundo virtual que temos à nossa disposição. As pessoas costumam esquecer-se disso, como um artista 3D, és a parte criativa do contrato com o cliente. Pode ser uma batalha para que eles aceitem o que fazes, mas tens que te certificar que eles respeitam o processo criativo.


A maioria dos clientes quer que os seus projetos pareçam extraordinários e excecionais, mas se isso for feito sem experimentação, pode acabar por se tornar apenas vulgar. O papel do artista é elevar essa criatividade para o cliente. Desafiar esse ponto de vista “ordinário” dá-nos a capacidade de enlouquecermos e fazermos exatamente o oposto do que é esperado fazer, de demonstrarmos a nossa criatividade, e apresentarmos outro ângulo das coisas. Podes falhar, o que é completamente aceitável, e parte do processo criativo.

Tem corrido bem dentro da comunidade de visualização arquitetónica?


Claro que não! Eu sei que não me devia importar com o que alguém diz desde que me sinta confortável com as minhas próprias decisões e criatividade – mas há vezes em que é mais fácil dizer do que fazer. No entanto tenho recebido imensos elogios, com pessoas a dizer, “É isso? Queremos mais!” É bom ouvir comentários positivos já que é a primeira vez que eu dirigi, editei e fiz o story board de um vídeo. Algumas pessoas reagiram com um pouco mais de profundidade, elogiando o trabalho de câmara, iluminação e outros aspetos mais técnicos.


As reações ultrapassaram as minhas expectativas – as imagens pertencem todas a projetos diferentes sem nenhuma intenção aparente de fazer parecer que têm algum significado. Houve muitas cenas que não chegaram a entrar no corte final porque me preocupo com a saúde física e mental humana!


Mudaste para a renderização RT GPU do V-Ray – o que é que gostas mais nisso?


Desde que o Chaos Group possibilitou a iluminação direcional, eu gosto de tudo! Usar a luz e criar equipamentos de luz complexos é uma das características mais importantes para mim. Acelerou imenso o meu fluxo de trabalho também. Ainda me estou a habituar ao facto de que posso fazer uma imagem de alta qualidade numa questão de minutos em vez de horas, o que deixa muito tempo para ser criativo.

“Eu adoro não ter que atualizar toda a máquina – com RT GPU posso simplesmente mudar o meu GPU, ou adicionar mais render nodes. Ter tanto poder sobre uma máquina é inacreditável.”

A única desvantagem é que tens que te habituar a gerir a tua cena adequadamente, e otimizar texturas e modelos, como a memória é limitada. Mas essa lacuna entre CPU e GPU está a fechar-se rapidamente, e a maioria das cenas interiores caberão facilmente em 8GB de RAM. Agora, não conseguia voltar para CPU, exceto por razões de compatibilidade em cenas mais antigas. Estou certo de que toda a gente vai mudar para GPU no futuro.


Quanta pós produção fazes nos teus vídeos e imagens?


Ter um equipamento de luz adequado, enquadrar e acentuar detalhes usando profundidade de campo, ou paralelismo de composição com a distância focal adequada para uma fotografia em particular é algo que nenhum pós-processamento consegue consertar facilmente. Normalmente eu sei o que posso esperar durante a pós-produção, quando vejo a imagem crua, que é mais uma questão de experiência do que proeza técnica no Photoshop.


Quais são os teus próximos trabalhos?


Uma publicidade de 4K que usa quase todos os truques que existem. Também tenho alguns projetos pessoais que valem a pena mencionar: algumas curtas-metragens, uma das quais é inspirada por uma música, outra chamada “pizza delivery” e outra chamada “robots” Ainda preciso que mais pessoas se juntem a mim nestes projetos – alguém está interessado em trabalhar num projeto espetacular de graça!?




Autor: Henry Winchester

Artigo em Inglês

Traduzido por Sara Correia



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