Alexey Kashpersky (NSFW)

Atualizado: 8 de Jan de 2019


A ilustração médica encontra-se com a ficção científica e fantasia nos estranhos e espantosos close-ups de Alexey Kashpersky

O HIV e Ebola podem representar a destruição no mundo real, porém, nas mãos de Alexey Kashpersky tornam-se algo notável, e até mesmo bonito. Pesadelos para as pessoas normais, os seus sujeitos ao estilo Technicolor parecem ser retirados de um sonho, tornando, aquilo que podia ser uma simples ilustração médica numa lição onde nos perdemos. Ele tem um dom, dom esse que começou a desenvolver desde novo.


Como uma criança a crescer na Ucrânia ele era fascinado pelo mundo natural, examinando tudo, desde organismos unicelulares microscópicos até insetos e lagartos. A sua mãe, uma professora, mostrou ao pequeno biólogo livros de anatomia e biologia, que este devorou impiedosamente.


Ao mesmo tempo, Kashpersky foi nutrindo o seu talento com um mestrado que englobava artes visuais, decorativas e aplicadas. Mas ele foi sempre atraído de volta pelo mundo natural. “Uma das minhas disciplinas favoritas de seis anos de estudo foi anatomia plástica”, diz ele, “Nós aprendemos sobre músculos, ossos, e ainda visitámos salas de dissecação. Os artistas não podem simplesmente desenhar o que veem – eles têm que saber o que está por trás e compreender como funciona.”.


Tecnologia Orgânica

Após a graduação, Kashpersky, lançou-se como freelancer em modelação para impressão 3D e empresas de produção televisiva. Ele preferiu coisas vivas e orgânicas, às superfícies frias de carros e naves espaciais. “Eu admiro as pessoas que são capazes de criar robots sci-fi,” diz ele. “Mas todos temos a nossa própria perspetiva, e tu precisas de te manter fiel ao que fazes melhor.”


Nos seus tempos livres Alexey trabalhou em imagens fantasiosas, como Dream, Atlantis Herald, e On the Percipice of the Universe. Cada uma combina o conhecimento enciclopédico da anatomia e pose, com uma grande dose de imaginação, para pôr no papel as fantasias de Kashpersky .


Foi uma imagem de ficção científica que lançou a carreira de Kashpersky como ilustrador médico. Em 2012, a sua mulher sugeriu que ele participasse numa competição com o tema de naves espaciais, dirigida pelo editor Celistic. Kashpersky recusou de imediato a ideia, pensado que envolveria as estruturas angulares de metal que ele tanto se recusa a desenhar. Porém, a sua mulher convenceu-o do contrário “Qual é o problema?” disse ela. “Fá-la viver!”


Golconda Uranium, a criação artística de Kashpersky, venceu a competição. Aparte da sua silhueta aerodinâmica, esta não é uma nave espacial tradicional. É uma criatura feita com nervos, músculos e tendões, bizarra e assustadora, mas bela e graciosa, como uma criatura assassina que poderíamos encontrar a flutuar mas regiões mais profundas do Oceano Pacifico, ou um vírus microscópico devastando um sistema imunitário.

A visão arrojada e psicadélica de Kashpersky também mexeu com a internet. Foi escolhida pelo diretor da empresa de animação médica Radius Digital Science, Brandon Pletsch, que o convidou para trabalhar consigo nos Estados Unidos. Entretanto Kashpersky venceu mais um concurso, desta vez com um render do vírus HIV. “Ter ganho, confirmou que perseguir ilustração médica era a coisa certa para eu fazer,” diz ele.

Kashpersky tem estado mergulhado neste mundo, ampliando o seu conhecimento de anatomia e virologia. “Os meus colegas de trabalho são licenciados em ilustração médica com imensos anos de experiência,” diz ele. “Eu aprendi muito acerca de pequenos detalhes da nossa natureza.”

Design ADN

A abordagem de Kashpersky à sua arte começa pela pesquisa na internet e aconselhamento dos seus colegas, antes de fazer os rascunhos das ideias com o lápis e papel. Como ele está cercado por pessoas com um conhecimento profundo acerca dos mais pequenos detalhes da biologia, uma abordagem realista é essencial, mas ele ainda tem espaço para exercitar alguma liberdade artística. “Normalmente depende da tarefa e do nível de ampliação” explica ele. “Temos mais liberdade assim que aprofundamos, porque temos menos conhecimento acerca do assunto.”


Com uma ideia fixa na sua cabeça do que pretende criar, Kashpersky usa o zbrush onde esculpe a sua ideia geral e adiciona detalhes finais. De seguida, é importado para 3ds Max, e renderizado com V-Ray. A iluminação possui um papel fundamental no realismo dos seus modelos, e para alcançar o realismo desejado ele usa materiais SSS Surface Scatering Shaders.


“Eu tentei uma vez e nunca mais olhei para trás! Com prática suficiente, obter o resultado que pretendemos torna-se intuitivo. E poupa tanto tempo.”
Alexey Kashpersky, Artista CG

De facto, Kashpersky acabou por gostar tanto dos SSS, que já não usa mais texturas. O seu mais recente trabalho que se tornou viral, Leptospira Bacteria, contempla simplesmente configurações de material e luz – e aparentemente os espectadores assumiram que era uma fotografia microscópica real.


No seu tempo livre, Kashpersky retornou à fantasia. A sua mais recente obra, Reptile Queen, justapõe modelos humanos e de réptil, realistas (o ultimo baseado na sua iguana, Tamerlan). “Eu quase me esqueci do quão maravilhoso é criar ilustrações fantasiosas,” diz ele. “É bastante diferente da medicina. Sinto-me inspirado e cheio de energia após ter publicado a Reptile Queen.”


A América abriu os olhos a Kashpersky. “Estive a pensar imenso acerca do ecrã grande depois de ter visitado os estúdios de cinema em Hollywood,” diz ele. “Não tenho a certeza do que significa para mim neste momento, ou como irei alcança-lo. Mas estou certo de que irá crescer para algo maior.” Para já, os vírus caleidoscópios estão adormecidos, mas um dia eles poderão infetar a mente curiosa de um diretor e transformar o cinema sci-fi em algo muito mais bonito.



ACERCA DO AUTOR - Henry Winchester

Henry Winchester é o escritor e editor principal do Chaos Group. Ele é apaixonado por VFX, archviz e design. Vive em Bristor, no Reino Unido, mas podemos encontra-lo frequentemente em eventos Chaosgroup na Europa e nos Estados Unidos.

Artigo original em Inglês

Traduzido por Sara Correia

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